A sul-africana Navi Pillay, de 85 anos, ex-juíza do Tribunal Penal Internacional (TPI), recebeu o Nobel da Paz nesta sexta-feira (09/10) por sua contribuição à paz e ao direito internacional, conforme anunciou o comitê norueguês.
Pillay construiu uma trajetória marcada pela defesa dos direitos humanos: atuou em tribunais internacionais, presidiu a Alta Comissaria da ONU para Direitos Humanos (2008-2014) e, mais recentemente, comandou a comissão que apurou violações nos territórios palestinos — relatório que concluiu haver genocídio cometido por Israel.
Ao anunciar a premiação, o presidente do comitê, Jorgen Watne Frydnes, ressaltou que, num cenário de guerras crescentes e ataques políticos às instituições jurídicas, a paz depende de um Estado de Direito internacional capaz de responsabilizar criminosos de guerra. Ele criticou a “mudança em direção à política de poder” e alertou que, quando a força prevalece sobre o Direito, enfraquecem-se a estabilidade e a confiança entre as nações.
Nascida em Durban, em família de origem indiana, Pillay viveu o apartheid e tornou-se uma das primeiras advogadas de ascendência indiana do país, defendendo ativistas — inclusive Nelson Mandela. Foi a primeira mulher não branca na Alta Corte sul-africana e, no tribunal internacional para Ruanda, contribuiu para reconhecer a violação sexual como crime de guerra e ato de genocídio. O comitê elogiou sua “firme bússola moral”.
Horas depois do anúncio, o governo Trump impôs sanções ao TPI, que já era alvo de sua campanha de desgaste — em resposta aos mandados de prisão contra autoridades israelenses, como Benjamin Netanyahu, e a uma investigação sobre soldados americanos no Afeganistão. O secretário de Estado Marco Rubio afirmou que os EUA “proibirão transações com esse tribunal desonesto”, cortando seus recursos. As sanções terão seis meses de carência e algumas isenções. O TPI, que já indiciou mais de 70 pessoas (entre elas Putin, al-Bashir e Gaddafi), classificou a medida como um ataque à ordem jurídica internacional e pediu que seus 125 Estados membros o defendam.
Trump, que transformou o Nobel em ambição de seu segundo mandato, chegou a receber em 2025 a medalha das mãos de Maria Corina Machado, vencedora da edição anterior, após a invasão americana à Venezuela.